I - A EPIDEMIA EBOLA:
A “MORTE RUBRA”
DA NOSSA ERA.
Entenda um pouco sobre a origem e
os sintomas da doença considerada por muitos a mais devastadora já descoberta
na história da humanidade.
"Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca. A cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes”.
Edgar Allan Poe, “A máscara da
Morte Rubra”.
O
trecho acima, retirado de um famoso conto de terror estadunidense “A Máscara da
Morte Rubra”, de Edgar Allan Poe, relata de forma assustadora e crítica, uma sociedade
onde uma terrível peste se espalhara e matava em massa a população, provocando
o caos e a reclusão dos sadios, que, nobres, poderosos, e achando-se seguros,
festejavam, mesmo diante da tragédia dos demais, sem saber, que a “Morte
Rubra” também os alcançaria.
De
forma surpreendente, o cenário montado por Poe, revela-se diante da sociedade
contemporânea de modo avassalador:
Conhecido mundialmente como Ebola, o vírus
descoberto em 1976 é, como a fictícia “morte rubra”, terrivelmente fatal (pode
levar a óbito 90% das pessoas que o contraem) e, assim como na história, tem
como um de seus sintomas mais graves, a hemorragia interna e externa, na qual o
sangue, vaza pelos poros e órgãos do sistema digestório, levando ao óbito
rapidamente.
Mas
como o vírus Ebola surgiu? Quais os sintomas que podem indicar a contaminação?
Uma visão geral
O vírus Ebola foi descoberto pela primeira vez em 1976, por uma equipe que tinha em seu comando, o chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia, na Bélgica, Guido Van Der Groen.
Primeiramente
associado a um surto epidêmico no noroeste do Zaire, região próxima ao Rio
Ebola, e que dá nome à doença, (onde, de 318 casos, 280 pessoas morreram rapidamente),
e surgido em casos simultâneos de febre hemorrágica em Nzara, no Sudão, e em
Yambuku, o EBOLA ou Febre Hemorrágica Ebola (FHE), é um vírus RNA, da família
Filoviridae (Compreende os vírus Marburg e Ebola) e do gênero Filovirus, altamente infeccioso e mortal, mas que no entanto, possui potencial epidêmico médio em relação a outras grandes doenças que se alastraram
e massacraram a humanidade, como a peste negra, a malária e a gripe aviária.
Possui cinco formas reconhecidas, que variam entre si na sequência de bases dos RNAs e em aspectos sorológicos, e que recebem o nome do local onde foram descobertas primeiramente, (Bundibugyo, Costa do Marfim, Reston, Sudão e Zaire), sendo que destes, quatro causaram o surto, já que, embora o Reston possa infectar humanos, nenhuma enfermidade ou morte foi relatada.
Como os hospedeiros animais naturais do Ebola, temos os morcegos frutívoros, embora haja diversos outros relatos de animais portadores (mais sobre isso será tratado nas próximas publicações).
Atualmente, a África Ocidental enfrenta o maior surto de sua história, (outros já aconteceram em 1976, 1979 e 1996).
Nunca, uma epidemia de febre hemorrágica (doença grave e de alta letalidade que produz distúrbios hemorrágicos, síndromes do extravasamento de fluidos, com ou sem dano capilar, e prejudicam comumente os rins, o fígado e o Sistema Nervoso Central), tinha afetado tantas pessoas, se estendido tanto geograficamente, e principalmente, ocasionado um número tão grande de mortes.
Nunca, uma epidemia de febre hemorrágica (doença grave e de alta letalidade que produz distúrbios hemorrágicos, síndromes do extravasamento de fluidos, com ou sem dano capilar, e prejudicam comumente os rins, o fígado e o Sistema Nervoso Central), tinha afetado tantas pessoas, se estendido tanto geograficamente, e principalmente, ocasionado um número tão grande de mortes.
Sintomas
O
início da doença é de difícil diagnóstico, pois os sintomas não são específicos
e podem aparecer de 2 a 21 dias após a exposição ao vírus.
Frequentemente, a
doença é caracterizada por sintomas súbitos de febre alta, (de até 40 graus), fraqueza,
calafrios, dor de cabeça, muscular e abdominal, anorexia, náusea, dor ou
inflamação de garganta e prostração profunda, que se seguem a vômitos,
diarreia, coceiras, e deficiência nas funções hepáticas e renais.
Em alguns
casos, entre o quinto e o sétimo dia de doença, ao aparecimento de um exantema
de tronco, anunciando problemas hemorrágicos diversos, como conjuntivite
hemorrágica, sangramento gengival, úlceras sangrentas em lábios e boca, hematêmase
e melena (alguns destes sintomas serão mais bem explicados nas postagens seguintes,
assim como as explicações bioquímicas de suas ocorrências).
Alguns pacientes
podem ainda apresentar olhos avermelhados, soluços, dores no peito, erupções
cutâneas e dificuldade para engolir e até respirar.
A morte rubra
Diante
de tal problema de saúde, o caos se espalhou. Os hospitais das áreas atingidas
não conseguem suportar o número de pacientes de Ebola, ocasionando uma queda no
atendimento e um aumento no número de mortes por outras doenças, como relatou a
Dra. Joanne Liu, a Presidente Internacional de Médicos Sem Fronteiras, durante
uma Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual a mesma suplicou pela ajuda
internacional:
“As pessoas doentes estão desesperadas, suas famílias e cuidadores, nervosos, e os agentes de saúde, exaustos. Manter a qualidade dos cuidados oferecidos é um desafio extremo. O medo e o pânico se instalaram, na medida em que as taxas de infecção dobram a cada três semanas. [...] os sistemas de saúde entraram em colapso”
Neste
cenário, os demais países do mundo, que antes, tal como o príncipe da história
de Poe, não se importavam com o surto, devido à sua pequena proporção em
relação à população mundial, agora se voltam temerosos para a África, sem,
contudo, fazer algo de efetivo, além de temer um possível alastramento da
infecção.
No
que concerne a tudo isso, faz-se necessário o incremento nas pesquisas que
buscam a vacina para tal doença, assim como o incentivo financeiro, e apoio
logístico dos demais países, para que as epidemias possam ser controladas com
eficiência, as equipes de saúde melhoradas, e o direito a vida das populações,
restituído.
Em breve...
Sobre
o Ebola, muitas perguntas podem surgir:
Como
se dá o contágio e a transmissão da doença? Qual a população mais atingida?
Quais países sofrem a epidemia atual? Existe tratamento? Como ele se dá? O que
é MSF e quais os riscos dos profissionais da saúde que trabalham com o Ebola? É
possível a cura total? Quais as formas de impedir que a Epidemia se espalhe? Tem Ebola no Brasil? O
Ebola seria um grandioso embuste? Quais as relações entre a doença e a
sociedade africana? Como se dá a Bioquímica do Ebola?
Esses
são alguns dos assuntos que serão trabalhados nas próximas semanas.
Até.
Referências:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822006000200014> (acesso em 02/10/2014)
<http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/08/entenda-epidemia-de-ebola-na-africa.html>(acesso em 01/10/2014)
(acesso em 01/10/2014)
42413536850944> (acesso em 01/10/2014)
<http://contosdocovil.wordpress.com/2008/05/12/a-mascara-da-morte-escarlate/> (acesso em 01/10/2014)



Achei bastante interessante a relação feita entre o conto de Edgar Allan Poe e o vírus Ebola na contemporaneidade. Mais incrível ainda é como são parecidas as reações da sociedade no conto e na realidade diante de tal problema, já que o vírus Ebola é um problema sério há tempos para alguns dos países africanos e só agora, com o perigo do alastramento da doença, que o resto do mundo começou a dar sinais de preocupação. Essa situação serve também para refletirmos sobre a saúde no contexto mundial e revermos a cooperação entre os países nessa área, pois se os países onde a doença apareceu tivessem recebido ajuda imediata para lidar com o problema, provavelmente já teríamos uma cura para a mesma, além de que não teríamos perdido as milhares de vidas que perdemos (que somente no surto atual já se somam mais de 3,4 mil). Aguardo novas postagens sobre o tema!
ResponderExcluirMuito conveniente o tema e a forma como foi abordado, nos dando uma visão geral sobre os aspectos clínicos da doença e como as autoridades estão se comportando diante da devastadora situação. É muito interessante notar a posição, como foi bem colocado no texto, dos demais países diante desse quadro, o Ebola além de causar um terrível impacto social, visto que o número de mortes já é em demasia alto, também causa um impacto econômico, que começou a ser "sentido" pelos demais países, por exemplo, algumas multinacionais de países como Guiné, Libéria e Serra Leoa já começaram a interromper os negócios por conta do surto e multinacionais de outros que possuem sede nessas áreas também já estão suspendendo algumas atividades, talvez aí esteja a explicação para essa assistência tardia. Aguardo as próximas postagens sobre o tema.
ResponderExcluirO texto é bem esclarecedor no sentido de expor um visão geral do ebola, apresentando sua origem, sintomas e o terrível quadro atual do surto dessa doença em que o vírus é conhecido por apresentar um poder destrutivo muito elevado. A explicação para essa atual epidemia do ebola relaciona-se diretamente com a conjuntura econômica atual baseada em países ricos e pobres, em que o ''medo'' das lideranças mundias de que o vírus se espalhe mundialmente e atinja, consequentemente, as nações mais ricas faz com que passem a investir em alternativas mais efetivas para combatê-lo, fato que não aconteceu quanto esse vírus estava presente em casos isolados na África. Por isso só agora, por exemplo, foram testadas as primeiras vacinas contra o ebola. Outro ponto interessante do post foi a relação presente na associação de um trecho do conto de Edgar Allan Poe com o cenário atual do ebola, em que apesar de tempos distintos, mostra quadros parecidos em relação ao poder destrutivo dos vírus. Assim, o post foi muito útil por dar informações relevantes sobre o ebola. Aguardo novas postagens!
ResponderExcluirInteressantíssima a maneira como o tópico foi introduzido, relacionando a um conto do grande autor americano, Edgar Alan Poe. As explicações acerca de como a doença surgiu e dos sintomas, como náusea, calafrios e diarreia, também são extremamente úteis para os leitores. É, também, notado no texto o alto índice de mortalidade dentre os infectados, isso se deve ao efeito causado pelo vírus ebola ao adentrar o corpo humano. Ele entra nas células, provocando a explosão das mesmas e produz uma proteína chamada glicoproteína ebolavírus, que se liga às células da parte interna dos vasos sanguíneos, aumentando a permeabilidade destes e levando ao vazamento de sangue. Esse processo pode levar ao choque e, em grande parte das vezes, à morte. Percebe-se então, a alta periculosidade do vírus e a necessidade de medidas preventivas ao lidar com pessoas infectadas pelo mesmo. Como o vírus não se transmite pelo ar, é necessário o contato direto com um animal infectado, com fluidos corporais de um humano infectado ou com itens contaminados. Assim, é necessária a esterilização de materiais que são utilizados ao tratar os doentes, a manutenção da limpeza dos ambientes e o isolamento dos pacientes. Nota-se que lugares com boa infraestrutura médica e bom controle de infecção não correm o risco de surto desse patógeno. Pelo mesmo motivo, a epidemia se espalha quase sem controle pela África ocidental, fato que já vem ocorrendo há algum tempo, mas só agora tem chamado atenção do resto do mundo. Nesse ponto, é preciso censo crítico para avaliar se essa súbita atenção para um problema antigo não tem influência das necessidades capitalistas de algumas empresas do setor farmacêutico. Espero mais postagens excelentes como esta acerca deste assunto tão focado na atualidade.
ResponderExcluirMuito interessante a abordagem introdutória sobre o tema Ebola, ao compara-lá com o conto do ilustre autor americano, Edgar Alan Poe. Foi uma postagem bem explicatica pois falou uma visão geral do assunto, destacando sua origem e sintomas. Interessante notar que esse vírus já era um problema sério nos países mais pobres, como a África, no entanto nunca se deu a devida atenção. Somente com o perigo de propagação da doença para o resto do mundo, não só a população, mas também os Estados e as indústrias farmacêuticas, passaram a se preocupar, haja vista é uma patologia que já causou inúmeras mortes, contabilizando mais de 3 mil pessoas. Espero aprender mais sobre o tema, e aguardo novas postagens!!
ResponderExcluirÉ incrível a semelhança entre o conto e a situação atual, em que muitos achavam que ignorando os problemas que acometiam outras regiões ficariam imunes a tudo. A atuação do MSF foi muito importante para o controle do ebola anteriormente contendo, por exemplo, a crise de 2007 em Uganda. Devido à transmissão se dar por secreção o contágio é mais difícil, mas a falta de tratamento e a aparição de casos em continentes não-africanos alertou os países ricos e incitou a mídia a dar maiores atenções à doença, espalhando o temor de maiores surtos.
ResponderExcluirMuito interessante essa abordagem introdutória sobre o tema. O vírus ebola, que não é transmitido pelo ar e sim por secreções como fezes, vômito, urina, saliva e sêmen, é muito difícil de ser diagnosticado e está aterrorizando as autoridades em saúde do mundo inteiro e a população em geral devido a sua alta probabilidade de levar ao óbito. No Brasil, não há muito motivo para alarde porque além da dificuldade de o vírus viajar até aqui, cartazes com orientações, questionários sobre a doença, informações divulgadas nos alto-falantes dos aeroportos e monitorização de voos de origem ou que fazem conexão em zonas de risco são atitudes que contribuem para minimizar os riscos. Aguardo novas postagens!
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